O Homem e a Fome

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Foto: Arquivo Internet

Pensava eu ser um dia normal, em meio a tantos outros, mas este não foi! Confesso que não entendia o porque. Até que Ele, Jesus, veio ao meu encontro. Da forma mais inusitada, mas eu não O esperava, na verdade eu nem O sentia. Foi quando parei e percebi Sua providência, a que nunca me faltou. Ela veio ainda mais forte em tudo que eu vivenciava naquele instante.

Eu havia acabado de comer, estava saciado de minha fome, pois o almoço que minha irmã havia me preparado, com tanto carinho, tinha sido suficiente para minha felicidade, que eu acreditava naquele momento, ser plena. Só que não era!

Era intervalo para refeição no trabalho, e eu, como de costume, após comer, paro pra descansar um pouco, só que era dia de fazer atividades externas e eu decidi ir de imediato.

Fui ao banco, realizei algumas transações da instituição e ao concluir sai correndo para não perder meu ônibus. Todavia, uma cena me fez diminuir os passos. Era um homem, que em sua miséria humana implorava a todos que passavam por ele, algo para comer. Ele gritava em desespero, – “Pelo amor de Deus, estou com muita fome, ainda não comi nada hoje, me ajude! ” – no meu relógio já marcavam 15h45mm. Naquele momento, meu coração apertou, não aguentei, cai em prantos, eu podia sentir a dor daquele ser humano, mas via antes de sua dor, o olhar invisível das pessoas sobre aquilo que acontecia.

O meu questionamento primeiro era, – Onde está o amor, Senhor? Porque tanta dor? – Fiquei tão indignado com o desprezo de muitos que ali passavam, que meu único desejo era alimentar, ou de alguma forma sanar a fome daquele senhor. Mas eu tinha a certeza de não possuir sequer 1,00 real em meu bolso. Eu estava apenas com o dinheiro da passagem. De repente um desejo incomum me alcaçou, saio revistando bolso a bolso, com o desejo de achar algumas moedas para aquele pobre faminto. Para minha surpresa achei 5,00 reais. Eu não acreditava, aquele dinheiro não estava no meu bolso, como havia aparecido ali? Parecia algo sobrenatural, no mínimo estranho. Sem pensar em mais nada, corri, comprei um salgado e um suco. Era o que dava com o dinheiro que aparecerá.

Fui ao encontro do homem, sentei perto dele, o dei de comer, dei um abraço firme, so queria naqueles instantes mostrar sua importância para Deus e para mim. Quando fiz, fui embora. Sabe o melhor? Me senti a pessoa mais feliz do mundo, totalmente realizada! Não por exaltação de minha imagem. Mas por ter ajudado, e me enxergar tão miserável como aquele ser.

A verdade é que não importa o que façamos para nos preencher e ser feliz. A alegria plena se da, à partir do coração do homem que, em seu silencio, encontra respostas concretas para realização da vontade do Pai.Somos todos miseráveis em Deus, e é a Sua vontade que nos faz dóceis e sensíveis a imagem humana.

AUTOR: Elder Lima0112

 

Meu nome é Elder Lima, estudante do curso de Jornalismo, músico, escritor e editor da página Eu Realejo.

Benção

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Foto: Arquivo Internet

Entro na sala dos professores logo após o término da primeira aula. É a hora do intervalo. Cumprimento algumas pessoas e quando olho para trás, vejo que ela está sentada em uma cadeira próxima à mesa, fazendo anotações.

Perdeu o pai há poucos dias. Na verdade, acabou de sair da “licença-luto”.  Acredito que seja a primeira vez que volta à faculdade, após o que ocorreu. Vou ao seu encontro, abraço-a forte e escuto um tranquilo “obrigada”.

Isso me impressiona. Ela diz estar calma, apesar de tudo. E ressalta: essa paz vem de Deus.

Ela é professora do Serviço Social, mãe, filha, esposa e agora descubro que é também uma mulher de fé. Sente dor, sim, mas está em paz. Durante nossa conversa, diz que enquanto o pai estava no caixão ela beijava as mãos dele. Porque era através das mãos que ela recebia a sua bênção. “Agora, eu não vou receber mais”, disse-me isso com profundidade na alma e olhos marejados. Os meus continuaram secos. Mas por dentro eu chorei, porque a emoção que as palavras dela provocaram em mim foi de uma intensidade difícil de ser esquecida.

Eu também recebo a bênção dos meus pais. E é como se naquele gesto estivesse a proteção, a segurança e a paz do amor de quem nos gera, nos guarda. A bênção é como um afago de Deus, um símbolo de seu afeto por nós. Traz calmaria e nos liga com o infinito e a plenitude. No momento em que se dá o ato, somos fortificados pelo poder daquelas palavras bonitas, simples, mas repletas de santidade, luz.

Minha amiga, não lamente, a bênção é eterna e não precisa ser física para ser presente. Sua bênção agora vai ser ainda mais forte, porque ela virá do Alto, ela virá do coração de Deus.

 

AUTORA: Adalucami Menezes

Graduada em Letras (UFC, 2003). Especialista em Estudos Clássicos (UFC , 2005). Mestre em Literatura Comparada (UFC, 2010). Doutoranda em Educação (UFC). Tem experiência na área de Literatura (Brasileira e Latina) e produção textual. Desenvolve pesquisas que abordam temáticas associadas aos valores morais cristãos, à Idade Média, à mulher na Antiguidade, à linguagem utilizada nos textos jornalísticos e à área da Educação.

 

AGRADECIMENTO

Hoje dou o primeiro passo para realização de um grande sonho. Sempre fui muito curioso, sempre gostei muito de escrever e partilhar com as outras pessoas, um pouco do que vejo e construo no mundo.

Dou inicio à este blog, com a crônica “Benção” da professora Adalucami Menezes, que me honrou com este presente tão maravilhoso. Ter um texto tão forte da pessoa que me inspirou a dar passos tão concreto na vida, é entender que eu preciso sim, olhar o mundo e tirar dele, cenas que nos motivem a refletir, nos façam sair de nós mesmos por amor. Gratidão.

Elder Lima – Escritor do “Eu Realejo”.